A Ribeira de Oleiros foi o cenário da 4.ª edição do Cortiçada Art Fest, que decorreu entre 2 a 6 de julho. O festival destacou-se pelas criações em cortiça inspiradas nos tradicionais tropeços de Álvaro, desenvolvidas no âmbito das residências artísticas e integradas num programa diversificado que incluiu workshops multidisciplinares, performances, exposições e um seminário, junto à obra “Moongate”, inaugurada em 2020 no âmbito do projeto Museu Experimenta Paisagem (MEP).
O evento contou com a presença de sete artistas em residência, oriundos de países como Irão, Itália e Rússia, bem como com a participação ativa de 35 inscritos, da Academia Sénior de Oleiros, da APPCDM da Sertã e do Grupo de Dança do Agrupamento de Escolas Padre António de Andrade.
O ponto alto do festival foi a performance ao ar livre apresentada no sábado, dia 5 de julho, junto à “Moongate”. Inspirada na expedição do Padre António de Andrade ao Tibete, a apresentação envolveu cerca de 80 participantes. Segundo Marta Aguiar, coordenadora do evento, a peça “evoca não só a resina — outrora riqueza local — como também as cartas do Padre António de Andrade”, o primeiro europeu a chegar ao Tibete e natural de Oleiros. Assim, a performance “foi uma viagem a um país distante, que é o tema porque estamos junto à ‘Moongate”, explicou Marta Aguiar, organizadora do Cortiçada Art Fest.
O Presidente da Câmara Municipal de Oleiros, Miguel Marques, visitou no sábado de tarde a equipa. No local, sublinhou o valor do intercâmbio artístico e cultural promovido pelo evento. “Este diálogo entre artistas internacionais, o público de Oleiros e a nossa comunidade escolar junto à Ribeira de Pêro Beques (conhecida por Ribeira de Oleiros) é essencial para reforçar a ligação da população ao território e ao seu património natural e cultural” referiu.
No domingo de manhã, o festival incluiu ainda um seminário com representantes da Universidade de Coimbra e do Politécnico de Milão, parceiros do projeto.
Os estudantes do Politécnico de Milão, no âmbito do Advanced Landscape Design, focaram-se na mitigação da erosão do solo, promoção da biodiversidade e combate aos incêndios rurais, conciliando a vertente ecológica e económica da floresta. Os seus projetos incluíram investigação teórica, construção de maquetes topográficas com simulação de carga térmica e testes práticos com queima controlada.
Já os finalistas do DARQ – Universidade de Coimbra propuseram estruturas arquitetónicas para dinamizar o território, com soluções ligadas ao turismo, visando atrair pessoas e criar novas oportunidades de emprego.
O Cortiçada Art Fest integra o projeto europeu “Let’s Get Together”, apoiado pela Europa Criativa e por vários municípios, incluindo Oleiros. Desde 2020, o festival tem promovido a circulação artística no interior, fomentando o desenvolvimento integrado e sustentável das regiões.

