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Floresta Comum atribui 2300 árvores ao concelho de Oleiros

Por Município de Oleiros em 23 de Março de 2018

Floresta Comum atribui 2300 árvores ao concelho de Oleiros

O Município de Oleiros submeteu uma candidatura ao projeto Floresta Comum, tendo esta sido aprovada, o que resulta na atribuição de 2300 árvores. Com este projeto pretende-se a recuperação de uma área com elevado valor ambiental, afetada por um dos grandes incêndios florestais ocorridos no concelho de Oleiros no verão de 2017.

A área em questão estende-se ao longo da Ribeira da Fraga de Água d'Alta, na envolvência do Geomonumento Fraga de Água d'Alta, inserido no Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional, integrado no Sistema Nacional de Áreas Classificadas de Portugal, território UNESCO. Anteriormente à passagem deste incêndio, o espaço que se pretende intervencionar comportava um conjunto de vestígios da floresta Laurissilva que povoou todo o Sudoeste Europeu antes das últimas glaciações, existindo aí uma importante mancha de azereiros (Prunus lusitânica) associados a outras espécies de importância para a conservação, nomeadamente o folhado (Viburnum tinus) e o medronheiro (Arbutus unedo). 

O Prunus lusitanica subsp. lusitanica, uma planta perenifólia subtropical, chega aos dias de hoje, considerada como uma relíquia – relíquia terciária – e representante de um tipo de florestas que praticamente já não existem, sendo considerada internacionalmente como uma espécie rara e vulnerável, que goza de estatuto próprio de conservação. Dada a sua importância, foi estabelecido protocolo entre o Município e uma entidade certificadora com o envolvimento de entidades consultoras (Naturtejo, EIM, Sociedade Broteriana, Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e Escola Superior Agrária de Coimbra), por forma a definir e colocar em curso a melhor estratégia para o local, permitindo a sua futura classificação como Monumento Natural Regional. Esta recuperação envolve a rearborização com recurso às espécies mencionadas e a outras do elenco florístico dos bosques ripícolas de azereiros (Laurus nobilis, Ilex aquifolium, Viburnum tinus, Frangula alnus, Arbutus unedo, Alnus glutinosa, Salix atrocinerea, Salix salviifoliia subsp. salviifoliia), restabelecendo a biodiversidade existente antes do incêndio (que afetou de forma severa o coberto vegetal existente) por forma a dar continuidade ao trabalho de valorização desta área, e promovendo ainda a preservação dos valores naturais e paisagísticos que caracterizam a área. Anteriormente ao incêndio já se considerava necessário o adensamento destas espécies, uma vez que existia um grave problema de crescimento voraz de acácias, que urge controlar, através de medidas de controle e erradicação das mesmas e aumento das zonas de ensombramento.

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